terça-feira, janeiro 09, 2007

O Bar do Desespero

No bar do desespero toda cerveja acalma , toda cachaça desinibe e todo whisky consola. No bar do desespero toda historia é verdade e toda verdade é triste. No ar sempre existe uma lucidez vagando e um possível sonho misturado a uma fumaça inebriante. Há também o total desengano e a sensatez do quem não se corrigira jamais. Existe uma mulher que dança com o espelho de olhos fechados, que sorri alto e sem a atenção de ninguém. A mulher se mistura ao professor desolado pelo sonho perdido, a frustração do que poderia ser e não foi, um amante do alcool que faz do mesmo seu confidente. A música do desespero traz a contradição do sorriso. Um desesperado que sorri pode parecer louco, porém, um desavisado diria que a alma tão cansada de ser enclausurada, sufocada e reprimida, aproveita um cochilo do corpo pra poder sambar com um copo de pinga na mão. Então ela divaga pelos cantos , canta alto e sem vergonha. Ela canta e dança como se ninguem a estivesse olhando!! A meia luz que enfeita o bar do desespero é confundida com os raios da esperança. As almas que dançam lado a lado sorriem de seus corpos semi-inertes, que nem se dão conta de tamanho espetáculo.
Um habitue da casa dança á moda russa e bate os pés no chão, e, ao seu lado, a garota embriagada bebe outra dose e beija o dançarino absurdo. É o paraíso perfeito dos que não acreditam nos céus. É a medida perfeita dos que não tem limite nem pressa. No bar dos desesperados o desespero é enganado, e, por uma fração de tempo incerta, tudo é misturado com alegria, prazer e consenso . No balcão do bar do desespero as historias são infinitas. A garota triste confidencia seu amor impossível, chora livremente e confessa que o medo do tempo lhe da calafrios. A ruiva tatuada sorri o riso do abismo e confessa que a próxima tentativa será derradeira. Mas existe uma musica que hipnotiza os passageiros da noite. O som que seria eterno. A contradição do retrato vivo. Dá-se fim a noite e o bar do desespero assiste seus convidados voltando paras suas vidas e anti-vidas. O dançarino absurdo anda devagar, a garota vai cambaleando com seu copo, o sol rasga a face de todos que voltam para seus mundos, e, do outro lado da rua , passa um ônibus lotado e um cachorro que não desconfia de absolutamente nada...

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