quarta-feira, agosto 22, 2012

Natal


É noite de Natal, e estou sozinho na casa de umamigo que foi para a fazenda. Mais tarde talvezsaia. Mas vou me deixando ficar sozinho umaconfortável melancolia, na casa quieta e cômoda. Doualguns telefonemas, abraço à distância algunsamigos. Essas poucas vozes, de homemde mulheres que respondem alegremente à minha, sãoquentes, e me fazem bem. Feliz Natal, muitasfelicidades"; dizemos essas coisas simples mafetuoso calor; dizemos e creio que sentimos, e comosentimos, merecemos. Feliz Natal!Desembrulho a garrafa que um amigo teve alembrança de me mandar tem; vou lá dentro, abro ageladeira, preparo um uísque, e venho me sentar nojardinzinho, perto das folhagens úmidas. Sinto-mebem, oferecendo-me este copo, na casa silenciosa,nessa noite de rua quieta. Este jardizinho tem oencanto sábio e agreste da dona da casa que oformou. É um pequeno espaço folhudo e florido decores, que parece respirar; tem a vida misteriosa
 
das moitas. perdidas, um gosto de roça, uma alegriameio caipira de verdes, vermelhos e amarelos.Penso, sem saudade nem mágoa, no ano que passou.Há nele uma ,sombra dolorosa; evoco-a neste momento,sozinho, com uma espécie de religiosa emoção. Hátambém, no fundo da paisagem escura e desarrumadadesse ano, uma clara mancha de sol. Bebosilenciosamente a essas imagens da morte e da vida;dentro de mim elas são irmãs. Penso em outraspessoas. Sinto uma grande ternura pelas pessoas; souum homem sozinho numa noite quieta, unto defolhagens úmidas, bebendo gravemente em honra demuitas pessoas.De repente um carro começa a buzinar com força,junto ao portão. Talvez seja algum amigo que venhame desejar Feliz Natal ou convidar para ir a algumlugar. Hesito ainda um instante; ninguém pensar queeu esteja em casa a esta hora. Mas a buzina éinsistente levanto me com certo alvoroço, olho arua, e sorrio é um caminhão de lixo. Está tãocarregado, que nem se pode fechar; tão carregadocomo trouxesse todo o lixo do ano que passou, todo olixo da vida que se vai vivendo. Bonito presente deNatal!O motorista buzina ainda algumas vezes, olhandouma janela do s do vizinho. Lembro-me de ter vistonaquela janela uma jovem mula vermelho, sempre acantarolar e espiar a rua. É certamente a ela eprocura o motorista retardatário; mas a janelapermanece fechada e es Ele movimenta com violênciaseu grande carro negro e sujo; parte ruído,estremecendo a rua.Volto à minha paz, e ao meu uísque. Mas afrustração do lixei a minha também, quebraram oencanto solitário da noite de Natal. Fecho a casa esaio devagar; vou humildemente filar uma fatia depresunto de alegria na casa de uma família amiga.Dezembro, 1951

Arrumando o Quarto





O quarto estava desarrumado! Eu nem havia reparado... Não conseguia achar quase nada e ate os livros e os cds se perdiam em documentos ,contas , contos e toda um cocktail de elementos!! Bem que minha mãe falava , meu pai, porem eu achava que estava tudo no lugar e que no meu vendaval estava certa uma organização...foi engano...
Sempre que  procurava as meias, eu nao via o estado desse comodo tao comodo , com sua pouca luz e uma inanição ao avesso..
As vezes eu tentava arrumar! Parava por ali e via o que  estava fazendo! Que bagunça! Precisava me livrar das coisas que não estavam no seu devido lugar! E pensava sempre nisso!
E o quarto agora,vejam so, estava melhor! Pronto! Arrumado!Tudo da forma mais bella que pudesse trazer alegria e sorriso para todos!!Felicidade! Céu! Disco voador que inventei pra voar!
Cada objeto inanimado vivo que me sorria naquela hora, hora da minha partida ,estampava a saudade que ja sentia e sinto desse quarto sagrado, eterno e sagrado !

segunda-feira, agosto 20, 2012

Então Eu Larguei o Cigarro


Então eu larguei o cigarro! Sim, foram mais de 20 anos sofrendo desse delicioso vicio, dessa companhia não detectada, a não ser nos saudosos momentos de bebida e delírios...
Agora eu tenho no que pensar! Afinal não é por mim essa preocupação. Não sou egoísta a ponto de dançar a noite inteira, com um copo na mão, ate morrer! Não tenho mais tanto folego e preciso de muito mais oxigênio...
Ando pelas ruas. Enxergo a cor do ar. Enxergo que  me transformei num Super-herói atrasado!
 Um Super -herói  que tem que apertar os passos pra não perder o ônibus, que tem que contar as moedas do tempo e saber que o relógio é louco e tem face de  poço sem fundo! Infinito...Calado...Indiferente...
É... Mesmo assim escuto a música ! Tudo tem melodia e inspira palavras e sonhos... as vezes pesadelos...!
Pode ser a música que traça a trilha sonora de tudo que eu faço ou a que vem do walkman triste do homem não menos triste que carrega uma especie de bolsa pequena, onde provavelmente eu encontraria uma marmita, cigarros paraguaios e uma conformidade inerte.
A música que me guia me relembra o Super-herói que me veste agora: Tem a trilha sonora de atravessar as ruas, a de esperar o transporte e a de olhar a beleza que perfuma meu mundo...As vezes a musica se torna tão suave que pareço estar envolto dentro de um sonho bom e colorido...lado bom...
Uma batida me traz de volta pra meu universo. Da janela vejo, de pé, uma senhora atropelada e estirada no asfalto, dando tons finais ao um espetáculo pra mim desconhecido... Seria ela uma heroína atrasada? Uma bruxa esquecida ou alguém tão perturbado e coerente como eu??? Nunca vou saber...

quinta-feira, agosto 09, 2012

Eu gosto de caminhar pela orla

Eu gosto de caminhar pela orla. Eu gosto do vento que me acompanha indiferente e que me traz o cheiro da vida. Caminhar para mim e ler um livro vivo: Vejo diversos personagens fantasticos!
 Existem fadas, monstros ,  muitos retardados e tantos outros nao menos incriveis,porém ,os que mais me causam impacto são os mortos vivos!Esses em especial não pediram e nao pedem nada,muito menos  serem transeuntes mórbidos, que não entendem quase nada e dançam a música da telenovela...
O som que vem do invisivel tambem me liberta. Não sei se é a musica do mar ou fruto de uma minha possivel loucura. Existem coisas que quero escutar ate mesmo para me proteger...Fases estranhas. Mundo da lua.
Carrego sempre quase nada comigo! As vezes me permito um cigarro, noutras o velho celular, mas devo lembrar sinceramente que peço a Deus para que ele não toque me despertando então desse lado particular no qual me embaraço constantemente.
Prefiro a tardezinha do que as manhas e as noites. As tardes parecem estar ligadas a 1000 woltz. Energia total! Oxigênio! 
Elas nao mostram no corpo a saudade da cama que as manhas revelam e nem a pressa do dia seguinte que as noites escondem...
Gosto de andar na orla! Gosto dos proximos passos que invento e da ficção que me aflorece a vontade de sair caminhando em busca dos pedaços que ainda hei de encontrar...

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Filme na madrugada. Disco velho. Livro empoeirado. Caixa fechada. Coração trancado. Monossilabo. Plural. Só. Viajante . Caseiro.
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