segunda-feira, junho 14, 2010

Amor Louco


AMOR LOUCO

O Amor Louco não quer se alistar no exército
de ninguém, não toma partido na Guerra dos Sexos,
entedia-se com os argumentos a favor de iguais
oportunidade de trabalho (na verdade, recusa-se a
trabalhar para ganhar a vida), não reclama, não
explica, nunca vota & nunca paga impostos.
O Amor Louco gostaria de ver todo bastardo ('filho natural')
chegar ao fim de sua gestação e nascer - o AL vive de
aparelhos antientrópicos - o AL adora ser molestado por
crianças - o AL é melhor que preces, melhor que
sensimilla (3) - o AL leva para onde for suas próprias
palmeiras & sua própria lua. O AL admira o tropicalismo,
O amor louco não é uma social-democracia, não é um
parlamentarismo a dois. As atas de suas reuniões
secretas lidam com significados amplos, mas precisos
demais para a prosa. Nem isso, nem aquilo - seu Livro
de Emblemas treme em suas mãos.
Naturalmente ele caga para os professores & para a
polícia, mas também despreza os liberais & os ideólogos
- não é um quarto limpo & bem iluminado. Um topógrafo
embusteiro projetou seus corredores & seus parques
abandonados, criou sua decoração de emboscada feita
de tons pretos lustrosos & vermelhos maníacos
membranosos... O anarquismo ontológico nunca retornou
de sua última viagem de pesca. Conquanto ninguém nos
denuncie para o FBI (CIA), o CAOS não se importa nem
tão pouco com o futuro da civilização. O amor louco
procria apenas por acidente - seu objetivo principal é
engolir a Galáxia. Uma conspiração de transmutação...
O amor louco é saturado de sua própria estética, enche-se
até as bordas com a trajetória de seus próprios gestos,
vive pelo relógio dos anjos, não é um destino adequado
para comissários ou lojistas. Seu ego evapora-se com a
mutalidade do desejo, seu espírito comunal murcha em
contato com o egoísmo da obsessão. O amor louco pede
sexualidade incomum, da mesma forma que a feitiçaria
exige uma consciência incomum. O mundo anglo-saxão
pós-protestante canaliza toda sua sensualidade
reprimida para a publicidade & divide-se entre
multidões conflituantes: caretas histéricos versus
clones promíscuos & ex-ex-solteiros.

A sabotagem, a break dance, Layla & Majnun (4), o cheiro
de pólvora e de esperma. O AL é sempre ilegal, não importa
se disfarçado de casamento ou de um grupo de escoteiros -
sempre embriagado do vinho de sua próprias secreções ou
do fumo de suas virtudes polimorfas. Não é a deterioração
dos sentidos, mas sim sua apoteose - não é resultado da
da liberdade, mas seu pré-requisito.

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Filme na madrugada. Disco velho. Livro empoeirado. Caixa fechada. Coração trancado. Monossilabo. Plural. Só. Viajante . Caseiro.
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