quarta-feira, março 04, 2009

In Extremis


Olavo Bilac



Nunca morrer assim!

Nunca morrer num dia

Assim! De um sol assim!

Tu, desgrenhada e fria,Fria!

Postos nos meus os teus olhos molhados,

E apertando nos teus os meus dedos gelados...

E um dia assim!

De um sol assim!

E assim a esferaToda azul, no esplendor do fim da primavera!

Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!

Ninhos cantando! Em flor a terra toda!

O ventoDespencando os rosais, sacudindo o arvoredo...

E, aqui dentro, o silêncio... E

este espanto! E este medo!

Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,A arredar-me de ti, cada vez mais a morte...E

u com o frio a crescer no coração, — tão cheioDe ti, até no horror do verdadeiro anseio

Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,A boca que beijava a tua boca ardente,

A boca que foi tua!E eu morrendo!

E eu morrendo,Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo

Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,

A delícia da vida!

A delícia da vida!

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