segunda-feira, dezembro 08, 2008

Seu Tião


Cada dia ele olhava pras velhas fotos. Via sua vida concretizada e sorria o riso do vencedor. A simplicidade do seu caminho era traçada em felicidades vistas nas rugas de seu rosto sereno. A criança pobre e arteira dera lugar a um homem forte, decidido e de uma alma tão bem humorada que ate Deus gargalharia ao seu lado. Os seus filhos eram o espelho de seus sonhos. Ele dera a vida que não teve para eles. Ele era o pai que queria ter tido. Todo domingo acordava cedo e os pequenos que eram seus fãs já o ladeavam pro passeio sagrado de todo fim de semana. Era extensão de seu sangue o amor apaixonado pelo Atlético Mineiro, e, ir ao Mineirao era uma espécie de missa. Ele que tinha 10 irmãos mantinha em seus princípios o amor a família, aos costumes de bem e a luta pela vida. Seu jeito simples e alegre fazia tudo parecer fácil, tão fácil quanto um gol de Reinaldo com a camisa do galo. Sua esposa era o alicerce de sua vida, ela conseguia traçar juntamente com ele uma historia de realizações. Aquele jeito singular de ver tudo com olhos calmos atraia ao seu redor tudo que era bom, e ser seu amigo era algo que trazia uma dignidade so pelo ser. Subiu na vida devagar, gradativamente e todos os seus atos eram nada mais que um reflexo da sua forma de agir e de encarar o mundo. Sorria com sua esposa a cada raiar de segunda-feira, beijava cada filho antes de encarar sua rotina costumeira e prometia alegria quando regrasse. Tinha suas manias e seus vícios, gostava de futebol e era um exímio meia- direita do time verde do clube. Contava piada no depois das partidas e roubava no jogo de truco tão bem que era sempre disputado para uma dupla. Bebia cerveja sorrindo. Ouvia os amigos paciente. Contava a ultima novidade e comentava discretamente pelo canto da boca sobre a morena de shortinho amarelo e minúsculo que sambava faceira pelo quiosque com um copo de cerveja na mão. O seu trabalho era sua grande paixão. Vivia em meio a novas conquistas, ao reconhecimento profissional pelas ideias que aplicava e tudo aquilo que um sábio agricultor colhe na grande safra. Era um jogador experiente. Sabia exatamente a hora de fazer a jogada perfeita, de dar o chute certeiro, o golpe de mestre. Nos seus momentos de folga não hesitava em pegar sua esposa perfumada e partir matreiro e feliz para uma gafieira, um samba de roda ou um show de musica sertaneja. Dançavam feito dois iniciantes e o baile todo parava pra admirar e aplaudir aqueles dois tão cheios de vida, de leveza e de gingado. Controlava as caipiroskas da sua mulher com todo seu estilo, quando percebia que o alcool já se fazia nitido no cantarolar da morena, ele a tirava rapidamente pra mais uma rodada no salão. O mundo parecia ser fácil. Tudo parecia que era simples demais. Ele passava pros seus próximos que a grande jornada de existir sempre teria um final feliz como em toda novela, toda musica alegre e todo filme de amor. O sorriso que quebrava as barreiras. O prazer de ser benquisto até por um militar. A certeza de que se ter esperança sempre faz do coração uma nave espacial com o poder de conquistar varios planetas, varias estrelas e varios outros tantos corações. Hoje ele continua sorrindo. Brinca com seus netos despreocupado. Bate sua bola todo fim de semana. Reclama do juiz. Gosta que a esposa sirva a comida quentinha no prato como faz a tantos anos. Apenas não perdeu a mania de reparar nos shorts curtos das morenas que sempre desfilarão apetitosas, sugestivas, misteriosas e infinitamente convidativas a seus olhos sempre, sempre, sempre atentos!!!!!!!!

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Filme na madrugada. Disco velho. Livro empoeirado. Caixa fechada. Coração trancado. Monossilabo. Plural. Só. Viajante . Caseiro.
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