Por 50 anos, o filósofo britânico Antony Flew foi um ateu muito respeitado por seus colegas. Seu ensaio Theology and Falsification (Teologia e Falsificação), de 1950, “tornou-se a publicação filosófica mais reimpressa do . . . século [20]”. Em 1986, Flew foi chamado de “o mais influente dos críticos contemporâneos do teísmo” (crença em Deus). Assim, muitas pessoas ficaram chocadas quando Flew anunciou em 2004 que tinha mudado seu modo de pensar.
O que levou Flew a mudar de ideia? Em poucas palavras: a própria ciência. Ele ficou convencido de que o Universo, as leis da natureza e a própria vida não poderiam ter surgido por mero acaso. Faz sentido essa conclusão?
Como surgiram as leis da natureza?
O físico e escritor Paul Davies afirma que a ciência consegue explicar muito bem os fenômenos naturais, como a chuva. Mas ele diz: “Quando se trata de . . . perguntas como ‘Por que as leis da natureza existem?’, a situação é mais complicada. As descobertas científicas não ajudam muito a esclarecer esse tipo de dúvida. Muitas das perguntas mais importantes continuam sem resposta desde o início da civilização e ainda nos perturbam.”
Em 2007, Flew escreveu: “O mais importante não é o fato de haver regularidades na natureza, mas sim que elas são matematicamente precisas, universais e interligadas. Einstein referiu-se a elas como ‘a razão encarnada’. O que devemos perguntar é o que fez a natureza surgir do jeito que é. Essa, sem dúvida, é a pergunta que os cientistas, de Newton a Einstein e a Heisenberg, fizeram e para a qual encontraram a resposta. Essa resposta foi: a Mente de Deus.”
De fato, muitos cientistas renomados não acham que é anticientífico acreditar numa Causa Primária inteligente. Por outro lado, dizer que o Universo, suas leis e a vida simplesmente surgiram por acaso não é intelectualmente satisfatório. Por exemplo, quando pensamos nas coisas que usamos no dia a dia, em especial aquelas que possuem um projeto complexo e sofisticado, fica claro que foi preciso alguém para projetá-las.
Em que você vai ter fé?
Embora os novos ateus gostem de dizer que a ciência é a espinha dorsal de suas crenças, a verdade é que nem o ateísmo nem o teísmo se baseiam totalmente na ciência. Os dois exigem fé: o ateísmo, no acaso sem objetivo; o teísmo, numa Causa Primária inteligente. Os novos ateus defendem a ideia de que “toda fé religiosa é cega”, escreveu John Lennox, professor de matemática na Universidade de Oxford, Inglaterra. Mas ele acrescentou: “Precisamos deixar bem claro que quem pensa assim está errado.” Então, fica a pergunta: Que fé resiste à lógica — a dos ateus ou a dos religiosos? Analise, por exemplo, a origem da vida.
Os evolucionistas admitem prontamente que a origem da vida ainda é um mistério — apesar de existirem muitas teorias conflitantes. Richard Dawkins, um dos novos ateus mais influentes, afirma que por causa da grande quantidade de planetas que deve existir no Universo é óbvio que surgiria vida em algum lugar. Mas muitos cientistas respeitados não têm tanta certeza. John Barrow, professor em Cambridge, disse que a crença na “evolução da vida e da mente” acaba “num beco sem saída em todos seus estágios. Existem tantos fatores que impedem a vida de evoluir num ambiente complexo e inóspito que seria pura arrogância sugerir que tudo é possível com a quantidade suficiente de carbono e de tempo”.
Lembre-se também que a vida não é apenas um conjunto de elementos químicos. Na verdade, ela é baseada num tipo extremamente sofisticado de informações, que estão codificadas no DNA. Assim, quando falamos da origem da vida, estamos falando também sobre a origem de informações biológicas. Qual é a única fonte de informações que conhecemos? Numa palavra: inteligência. Será então que uma série de acidentes produziria informações complexas, como um programa de computador, uma equação algébrica, uma enciclopédia ou mesmo uma receita de bolo? É claro que não! Muito menos as informações armazenadas no código genético dos organismos vivos, que são bem mais sofisticadas e eficientes.
É científico dizer que a sorte é a Causa Primária?
Segundo os ateus, “o Universo é assim mesmo, cheio de mistérios, e por coincidência possibilita a vida”, explica Paul Davies. “Se não fosse assim”, dizem os ateus, “nem estaríamos aqui para debater esse assunto. O Universo pode ou não ter uma complexa harmonia subjacente, mas não existe nenhum projeto, objetivo ou significado — pelo menos nenhum que faça sentido para nós”. “A vantagem dessa postura”, observa Davies, “é que é fácil de ser assumida — tão fácil que serve de pretexto”, ou seja, um modo conveniente de fugir do assunto.
Em seu livro Evolution: A Theory in Crisis (Evolução: Uma Teoria em Crise), o biólogo molecular Michael Denton concluiu que a teoria da evolução “parece mais um princípio de astrologia medieval do que uma teoria científica séria”. Ele também se referiu à evolução darwinista como um dos maiores mitos de nossos tempos.
Com certeza, dizer que a sorte é a Causa Primária soa como mito. Imagine esta situação: Um arqueólogo vê uma pedra bruta mais ou menos quadrada. Ele pode dizer que ela tem esse formato por acaso, o que seria uma conclusão razoável. Mais tarde, ele encontra outra pedra, mas com o formato perfeito do busto de um homem, com todos os seus detalhes. Será que ele concluiria que essa peça também surgiu por acaso? Não. Sua mente racional diz: ‘Alguém fez isso.’ Usando um raciocínio similar, a Bíblia diz: “Cada casa . . . é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas é Deus.” (Hebreus 3:4) Você concorda com isso?
O professor Lennox escreveu: “Quanto mais aprendemos sobre o nosso Universo, mais credibilidade ganha a hipótese de que existe um Deus Criador — que projetou o Universo com um objetivo — como a melhor explicação do porquê estamos aqui.”
Infelizmente, uma das coisas que enfraquecem a crença em Deus são as atrocidades cometidas em nome dele. Por esse motivo, algumas pessoas concluíram que a humanidade ficaria numa situação melhor sem a religião. O que você acha disso?
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
Prisão dos Loucos
Daqui de dentro da prisão vejo o desfile dos loucos! Existem loucos de todas as especies , porem os que mais me abominam por me assustar tanto são os velhos loucos! A maneira que eles andam se arrastando, a curvatura quase lapidal e o olhar amargo embalado em passos lentos traz uma cena triste de um filme triste. Daqui de dentro da prisão observo também a loucura feliz! A loucura que ainda não se deu conta da lado negro! Essas são as crianças esfuziantes que correm pra la e pra cá, bem defronte a minha visão. Bailam como passarinhos em poças dagua, sorriem alto e deixam um rastro de gotas de sorvete por onde quer que passam.
Eis que surge também a loucura do amor! O amor! Os casais apaixonados que dividem o refrigerante e andam com o sonho conjunto estampado em sorrisos e gracejos. Parecem sair duma novela feliz, onde toda a cor do mundo cabe no espaço do próximo beijo, da proxima viagem, do proximo destino...
Vejo tambem daqui do meu anti-mundo os solitarios... O jeito apressado e afobado com que andam não esconde o abismo que os carrega. Tem um olhar cabisbaixo, uma vontade de ter uma leveza que não se aplica mais... o tempo corroeu sua naturalidade e agora somente as sombras e a música baixa pode dar-lhes as mãos. Se afundam em video-game e em cigarros fatais. Dormem cedo por temer o que a madrugada pode desprender de seus cerebros doentios.
Daqui da minha prisão vejo também o outro eu. Aquele que queria ser livre, voar embriagado , pintar o quadro dos caminhos da vida e das vontades. Vejo o outro eu que sorri também feito louco, espera a proxima chance e paga pra ver o que esta guardado no paraiso escondido da vida.
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
Priscylla
Então eu respiro. Debaixo do tempo vivido, por todo caminho sentido e por toda vontade de beijos. Sinto a tristeza da historia torta, do amor que beira a loucura e traz melancolia e frio. Queria sempre o sorriso, a noite de cumplicidade , suspiros e suor. Queria os cabelos longos e loiros perto do meu nariz, com seu cheiro unico em toda sagrada manhã. O que eu realmente desejava era uma alegria boba, maravilhas ao vento
pela praia calma e inspiradora...caminho do mar...
Preciso da parte sobria dela gritando mais alto que a parte louca. Tudo isso que me parte ao meio e que me despedaça faz com que eu nao entenda o quadro fixado na parede da vida, e sigo em frente sem saber se existe um abismo ou um prometido paraíso...o sonhado céu...
Ando sem medir os passos, faço rodeios , imagino o outro lado mundo, as ruas , os sons... mas todos esses devaneios que se seguem sempre procuram pelo nome da mulher que conheço pelo nome de amor: Priscylla!
pela praia calma e inspiradora...caminho do mar...
Preciso da parte sobria dela gritando mais alto que a parte louca. Tudo isso que me parte ao meio e que me despedaça faz com que eu nao entenda o quadro fixado na parede da vida, e sigo em frente sem saber se existe um abismo ou um prometido paraíso...o sonhado céu...
Ando sem medir os passos, faço rodeios , imagino o outro lado mundo, as ruas , os sons... mas todos esses devaneios que se seguem sempre procuram pelo nome da mulher que conheço pelo nome de amor: Priscylla!
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Do que você se arrependeria de não ter (ou de ter) feito se fosse morrer hoje?
Uma enfermeira australiana, chamada Bronnie Ware, trabalha com cuidados paliativos, tomando conta de pacientes em suas últimas semanas de vida. Inspirada pelas histórias que acompanhou, ela criou um blog em que registra suas conversas com quem estava em seu leito da morte.

O site fez tanto sucesso que virou um livro chamado The Top Five Regrets of the Dying (Os cinco maiores arrependimentos de quem está morrendo), sem previsão de lançamento em português. Nele, Bronnie compartilha suas experiências e conta quais são as queixas de quem chegou à beira da morte. Confira as mais comuns:
1. Queria ter aproveitado a vida do meu jeito e não da forma que os outros queriam
O arrependimento mais comum de todos. Segundo Bronnie, quando as pessoas percebem que sua vida chegou ao fim, fica mais fácil ver quantos sonhos elas deixaram para trás. “A saúde traz uma liberdade que poucos percebem que possuem, até que a perdem”.
2. Queria não ter trabalhado tanto
Bronnie conta que esse desejo era comum a todos os homens que ela atendeu. Eles falam sobre sentir falta de ver as crianças crescendo ou da companhia de sua esposa. Isso não quer dizer que as mulheres não apresentem a mesma queixa – mas como a maior parte das pacientes da enfermeira são de uma geração mais antiga, nem todas precisavam trabalhar para sustentar a família.
3. Queria ter falado mais sobre meus sentimentos
Para viver em paz com outras pessoas, muita gente acaba suprimindo seus próprios sentimentos. De acordo com a enfermeira, alguns de seus pacientes até desenvolveram doenças por carregar esse rancor e esse ressentimento e nunca falar sobre o assunto.
4. Não queria ter perdido contato com meus amigos
“Todos sentem falta dos amigos quando estão morrendo”, afirma Bronnie. Segundo ela, muitas pessoas não percebem que sentem saudades dos amigos até as semanas que precedem sua morte.
5. Queria ter me permitido ser feliz
De acordo com Bronnie, muitas pessoas só percebem no fim que a felicidade é, na verdade, uma questão de escolha. “O medo de mudar fez com que eles fingissem para os outros e para eles mesmos que eles estavam satisfeitos quando, no fundo, tudo o que eles queriam era rir e ter mais momentos alegres”, conclui.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Trecho de " Como me Tornei Estúpido "
" Observando como o pensamento das pessoas embriagadas era vago e distante de qualquer preocupação com respeito à realidade, como suas frases
se satisfaziam com a incoerência e, como coroando tudo, tinham a ilusão de declamar soberbas verdades, Antoine decidiu aderir a esta promissora filosofia. A embriaguez parecia-lhe o meio de suprimir toda e qualquer veleidade reflexiva da sua inteligência. Embriagado, ele não teria necessidade de pensar, ele já não o poderia: seria um retórico de aproximações líricas, eloqüente e volúvel. A inteligência no seio da embriaguez já não teria sentido; com suas amarras afrouxadas, ela poderia fazer naufragar ou ser devorada por tubarões sem que disso se desse conta. Risos sem motivo, exclamações absurdas, em estado de ebriedade ele amaria todo o mundo, seria desinibido. Dançaria, vira- voltaria! Oh, certamente, ele não esquecia a parte sombria do álcool: as tonturas, os vômitos, a cirrose à espreita. E a dependência.
Ele contava com sua transformação em alcoólatra. Isso traz plenitude. O álcool ocupa totalmente o pensamento e dá fim ao desespero: cura. Ele freqüentaria então as reuniões dos Alcoólatras Anônimos, contaria a sua trajetória, seria apoiado e compreendido por seres da sua espécie, os quais aplaudiriam sua coragem e sua vontade de recuperar-se. Ele seria alcoólatra, ou seja, alguém que tem uma doença socialmente reconhecida. Os alcoólatras são compreendidos, são cuidados, têm uma consideração médica, humana. Ao passo que ninguém pensa em compadecer-se das pessoas inteligentes..."
se satisfaziam com a incoerência e, como coroando tudo, tinham a ilusão de declamar soberbas verdades, Antoine decidiu aderir a esta promissora filosofia. A embriaguez parecia-lhe o meio de suprimir toda e qualquer veleidade reflexiva da sua inteligência. Embriagado, ele não teria necessidade de pensar, ele já não o poderia: seria um retórico de aproximações líricas, eloqüente e volúvel. A inteligência no seio da embriaguez já não teria sentido; com suas amarras afrouxadas, ela poderia fazer naufragar ou ser devorada por tubarões sem que disso se desse conta. Risos sem motivo, exclamações absurdas, em estado de ebriedade ele amaria todo o mundo, seria desinibido. Dançaria, vira- voltaria! Oh, certamente, ele não esquecia a parte sombria do álcool: as tonturas, os vômitos, a cirrose à espreita. E a dependência.
Ele contava com sua transformação em alcoólatra. Isso traz plenitude. O álcool ocupa totalmente o pensamento e dá fim ao desespero: cura. Ele freqüentaria então as reuniões dos Alcoólatras Anônimos, contaria a sua trajetória, seria apoiado e compreendido por seres da sua espécie, os quais aplaudiriam sua coragem e sua vontade de recuperar-se. Ele seria alcoólatra, ou seja, alguém que tem uma doença socialmente reconhecida. Os alcoólatras são compreendidos, são cuidados, têm uma consideração médica, humana. Ao passo que ninguém pensa em compadecer-se das pessoas inteligentes..."
terça-feira, fevereiro 07, 2012
domingo, janeiro 29, 2012
sexta-feira, janeiro 20, 2012
domingo, janeiro 15, 2012
Presente Infantil
Quero premiar-te com um verso meu.Um verso que vem pra la de mim...pra lá do que posso falar.. Que seja um parto essa parte de letras que invadem papéis e mundos imaginários, fazendo o deslocamento do eixo que equilibra meus velhos sapatos... Queria te presentear com um simples poema... Tão simples que faça a beleza maior se sentar e contemplar esse céu de simplicidade, onde não tem broxes de ouro, cristais e cerimoniais! Ai de mim..que agora estou enlouquecendo e preciso mais do que preciso presenter-te com um singelo poema...
terça-feira, janeiro 03, 2012
sexta-feira, dezembro 30, 2011
quarta-feira, dezembro 28, 2011
segunda-feira, dezembro 26, 2011
quarta-feira, dezembro 07, 2011
Trecho de Nietzsche para Estressados, de Allan Percy
Filosofia para o dia a dia
NIETZSCHE PARA ESTRESSADOS é um manual inteligente, provocador e estimulante que reúne 99 máximas do gênio alemão e sua aplicação prática a várias situações do dia a dia. A filosofia de Nietzsche é de grande utilidade na busca de uma solução para uma série de problemas, tanto na vida pessoal quanto na profissional.
Este breve curso de filosofia cotidiana foi criado para nos auxiliar naqueles momentos em que precisamos tomar decisões, recuperar o ânimo, encontrar o caminho certo quando estamos perdidos e relativizar a importância dos fatos da vida. É indicado para pessoas que procuram inspiração no pensamento do filósofo mais influente da era moderna para combater as angústias e os medos dos dias de hoje.
Cada capítulo é iniciado por um aforismo desse grande pensador, seguido de uma interpretação atual que nos ajuda a alcançar o bem-estar.
No final, há um anexo que explica o valor terapêutico da filosofia e suas aplicações no cotidiano. Conheceremos o trabalho dos filósofos terapeutas, popularizado pelo livro Mais Platão, menos Prozac, de Lou Marinoff, e entenderemos como máximas dos pensadores de todos os tempos podem oferecer uma ajuda da melhor qualidade.
Antes de conhecer seus pensamentos, saiba um pouco sobre a vida do grande mestre.
Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 1844, na cidade alemã de Röcken. Seu pai era pastor evangélico e faleceu quando o filho tinha 5 anos. O menino cresceu em um ambiente de pietismo protestante dominado por mulheres.
Após frequentar um internato, onde foi apresentado à Antiguidade grega e romana, estudou filosofia clássica nas universidades de Bonn e Leipzig. Nessa última, entrou em contato com as ideias de Schopenhauer e com a música de Wagner, compositor que admirava e que mais tarde conheceria pessoalmente.
Em 1869, com apenas 25 anos, Nietzsche já era professor de filologia clássica na Universidade da Basileia. No entanto, sua atividade docente foi interrompida em 1870, quanto estourou a Guerra Franco-Prussiana.
Nietzsche participou do conflito como enfermeiro, até ser obrigado a abandonar o front por causa de uma disenteria, da qual nunca se recuperou totalmente.
Em 1881, conheceu Lou Andreas Salomé, mulher por quem se apaixonou perdidamente mas que acabaria se casando com um amigo seu. A rejeição ajudou a consolidar sua proverbial misoginia.
Obrigado a se aposentar prematuramente por conta de sequelas da doença, Nietzsche viveu na Riviera francesa e no norte da Itália, lugares que considerava ideais para pensar e escrever.
Sozinho e frustrado por suas obras não alcançarem a acolhida desejada, foi vítima de seus primeiros acessos de loucura em 1889, quando morava em Turim e estava praticamente cego.
Após longas temporadas internado em clínicas da Basileia e de Jena, Nietzsche passaria o fim da vida na casa da mãe, que cuidou dele até morrer, deixando-o ao encargo da irmã. Nietzsche faleceu em 1900.
Seu ambicioso legado filosófico até hoje não perdeu o poder inspirador e instigante.
1 - Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa
QUANDO PERDEMOS DE VISTA nossos objetivos fundamentais, somos dominados pelo estresse e pela desorientação. A sensação de “trabalhar muito para nada” e o esgotamento que dificulta a concentração podem ser combatidos com a definição de uma meta clara, que ofereça sentido ao que estamos fazendo nos bons e nos maus momentos.
Para o psicólogo Viktor Frankl, se o indivíduo encontra um sentido para sua vida, é capaz de superar a maior parte das adversidades.
A logoterapia, criada por ele, busca exatamente isto: em vez de escavar o passado do paciente, tenta explorar o que é possível fazer com o que ele tem aqui e agora. Em outras palavras, devemos encontrar um motivo para nos levantar da cama todas as manhãs.
O problema de muitas pessoas insatisfeitas com sua existência é que elas não pensam na vida que gostariam de viver. E a primeira condição para encontrar-se é saber aonde se quer chegar.
Como fez Frankl meio século mais tarde, Nietzsche destaca a importância de se buscar uma “razão de viver”. Quando nossa vida se torna plena de sentido, de uma hora para outra os esforços já não são cansativos, e sim passos necessários em direção à meta que estabelecemos.
2 - O destino dos seres humanos é feito de momentos felizes e não de épocas felizes
A FELICIDADE É FRÁGIL E VOLÁTIL, pois só é possível senti-la em certos momentos. Na verdade, se pudéssemos vivenciá-la de forma ininterrupta, ela perderia o valor, uma vez que só percebemos que somos felizes por comparação.
Após uma semana de céu nublado, um dia de sol nos parece um milagre da Criação. Do mesmo modo, a alegria aparenta ser mais intensa quando atravessamos um período de tristeza. Os dois sentimentos se complementam, pois, da mesma forma que a melancolia não é eterna, não poderíamos suportar 100 anos de felicidade.
Imaginar que temos obrigação de ser felizes o tempo todo e em todo lugar é um grande fator de estresse na sociedade moderna. A negação da tristeza dispara o consumo de antidepressivos e a busca de psicoterapias e nos leva a adquirir coisas de que não precisamos. Não exibir um sorriso permanente parece ser motivo de vergonha.
Contra essa perspectiva falsa e infantil, Nietzsche nos lembra que a felicidade vem em lampejos e que tentar fazer com que ela dure para sempre é aniquilar esses lampejos que nos ajudam a seguir em frente no longo e tortuoso caminho da vida.
3 - Nós nos sentimos bem em meio à natureza porque ela não nos julga
NÓS, SERES HUMANOS DO SÉCULO XXI, estamos “desnaturalizados” e isso muitas vezes nos faz parecer extraterrestres em nosso próprio planeta. Mesmo acreditando que a cultura e a civilização tenham suprido nossa porção mais animal e instintiva, ainda precisamos manter contato com o mundo natural.
Ao sentir o cheiro de terra fresca, o ar limpo e o silêncio, que só é quebrado pelas pequenas criaturas ao redor, reencontramos nossa essência por tanto tempo abandonada.
Como diz Nietzsche, na cidade precisamos representar um papel porque estamos muito preocupados com o que pensam de nós. Mas, ao voltar à natureza, podemos nos dar ao luxo de sermos nós mesmos. Não precisamos nos vestir bem, falar ou atuar de maneira especial. Basta nos deixarmos levar pelo mundo natural em direção ao nosso interior, onde um manancial de tranquilidade nos espera.
4 - Precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto estamos vivos
NIETZSCHE SUGERE QUE NÃO HÁ apenas uma morte ao longo da existência humana. No decorrer da vida, vamos vencendo etapas e devemos morrer – simbolicamente – para podermos nascer no estágio seguinte.
Essa transição de uma vida a outra é o que as tribos mais ligadas à terra chamam de “rito de passagem”, um momento que nossa civilização vem abandonando.
O antropólogo catalão J. M. Fericgla comenta o assunto: Sem entrar no mérito da religião, a primeira comunhão era tradicionalmente um rito de iniciação: uma porta simbólica que conduzia da infância à puberdade. Os meninos ganhavam suas primeiras calças compridas após a cerimônia, transformando- -se em homenzinhos. Isso coincidia com a permissão para sair à rua sozinhos, mesmo que apenas para comprar pão. O padrinho costumava abrir uma conta-corrente no nome do afilhado.
Também no momento da primeira comunhão os meninos ganhavam seu primeiro relógio, o que significava um controle adulto do tempo.
Um bom exercício para tomar consciência das vidas que existem dentro de nossa vida é fazer uma relação das etapas que já superamos e verificar se houve algum rito de passagem entre uma e outra. Depois podemos perguntar a nós mesmos: “Qual é a próxima vida em que quero nascer?”
5 - O valor que damos ao infortúnio é tão grande que, se dizemos a alguém “Como você é feliz!”, em geral somos contestados
NÃO É LUGAR-COMUM DIZER que os povos aparentemente mais primitivos demonstram ser mais felizes que a sociedade ocidental contemporânea. Muitos se perguntam como pessoas que não têm nada ou quase nada podem ser mais bem-humoradas do que outras que trabalham para acumular todo tipo de bens.
Será que a contestação, como diz Nietzsche, é uma marca de nossa civilização?
Nas conversas típicas do ambiente de trabalho, nos bares e nos restaurantes as queixas são intermináveis: reclamamos das taxas de juros, do custo de vida, do ruído e da poluição que assolam as grandes cidades. Talvez não estejamos fazendo nada para remediar esses fatores, mas gostamos de nos queixar, o que acaba gerando angústia e estresse.
O estresse não nasce das circunstâncias externas, mas da interpretação que fazemos delas. Talvez o segredo da felicidade seja deixar de nos preocuparmos com fatores e estatísticas que não dependem de nós e nos divertirmos mais.
6 - Nosso tesouro está na colmeia de nosso conhecimento. Estamos sempre voltados a essa direção, pois somos insetos alados da natureza, coletores do mel da mente
COMO SCHOPENHAUER, NIETZSCHE em sua juventude se interessou pelas várias filosofias que florescem na Índia.
Herdeiro de uma longa tradição espiritual voltada ao conhecimento pessoal, Ramana Maharshi talvez tenha sido o último “grande guru” a trabalhar com o instrumento que nos torna humanos: a mente.
Ramana estimulava seus discípulos a perguntarem a si mesmos: “Quem sou eu?” Quando soube que tinha câncer, tranquilizou-os dizendo: “Não vou a lugar nenhum. Para onde poderia ir?”
Aqui Nietzsche compara a conquista da mente a uma abelha voando em direção à colmeia para colher o mel mais puro. Maharshi descrevia da seguinte forma a viagem às profundezas do nosso interior:
Assim como o pescador de pérolas prende uma pedra na cintura e desce ao fundo do mar para buscá-las, cada um de nós deve se munir de desapego, mergulhar dentro de si mesmo e encontrar sua pérola.
Para encontrar essa pérola não é preciso peregrinar à Índia nem se entregar a complexos exercícios espirituais. Basta olharmos tranquilamente para o nosso interior.
7 - A palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores e mais educadas que o silêncio
A MAIOR PARTE DAS GUERRAS PSICOLÓGICAS é iniciada mais pelo que não se diz do que pelo que se diz.
Vamos imaginar uma cena: A está chateado com B e parou de falar com B desde que este se esqueceu de lhe dar os parabéns pelo aniversário. A deveria ter dito: “Você não sabe que dia foi ontem?”, mas, como ficou magoado com a falta de atenção do amigo – que, na realidade, foi apenas um esquecimento –, resolveu pagar na mesma moeda: o silêncio. B acabou se chateando com A, que de uma hora para outra deixou de atender seus telefonemas e, quando conseguiram se falar, não se mostrou nada gentil.
São comportamentos infantis, porém muito mais comuns do que se imagina. Quantos casais brigam por mal-entendidos que duram dias ou meses até serem esclarecidos? A falta de comunicação também está na origem de muitos conflitos vividos no ambiente de trabalho.
Não dizer as coisas a tempo é um importante fator de estresse no mundo tumultuado em que vivemos, pois possibilita interpretações equivocadas que acabam pesando contra nós.
Nietzsche, que não tinha papas na língua, afirma que é melhor expressar nossos sentimentos – mesmo sem encontrar as palavras adequadas – do que ofender com o silêncio.
8 - Nossa honra não é construída por nossa origem, mas por nosso fim
COMO JÁ DISSEMOS, AS PESSOAS mais felizes e realizadas são as que sabem aonde querem chegar e têm metas. Podemos alcançar nossos objetivos de forma mais ou menos efi caz, mas o fato de ntermos vivido em função de algo acrescenta um valor inestimável à nossa existência.
Quando enxergamos a vida dessa maneira, nossa origem humilde e os erros que porventura tenhamos cometido no caminho perdem a importância. Como diz o Corão: “A Deus não importa o que você foi, mas o que será a partir deste momento.”
Para ver com clareza e atuar de forma coerente, precisamos de algo parecido com um roteiro pessoal. Experimente o seguinte exercício:
1. Pegue uma folha de papel e trace nela uma linha vertical.
2. Escreva à esquerda um resumo do que foi sua vida até hoje.
3. À direita, descreva o caminho que gostaria que ela tomasse a partir deste momento.
4. Logo abaixo, anote os passos necessários para seguir em frente com seu roteiro. E mãos à obra!
9 - O homem que imagina ser completamente bom é um idiota
SE A CONSCIÊNCIA NOS TORNA HUMANOS, a imperfeição também é um traço distintivo de nossa espécie. Passamos mais tempo reparando erros do que construindo coisas de valor.
Assumir essa característica da nossa condição nos ajuda a ser humildes e, o que é mais importante, nos faz tomar consciência de quanto ainda precisamos nos aprimorar. Todo fracasso ou erro nos ensina como fazer melhor.
As pessoas mais inflexíveis e perfeccionistas sofrem as consequências de seus atos imperfeitos. Se algo dá errado, costumam colocar a culpa nos outros e ficam descontrolada quando alguém mostra qualquer falha que possam ter cometido.
Nietzsche nos dá o seguinte conselho: é inútil querermos ser bons o tempo todo e fazer tudo certo – o que importa é estarmos dispostos a fazer um pouco melhor hoje do que fi zemos ontem.
A palavra japonesa wabi-sabi define a arte da imperfeição: no que é incompleto, irregular e antigo existem vida e beleza, pois aí está contido o desejo que a natureza tem de aprimorar a si mesma.
10 - As pessoas que nos fazem confidências se acham automaticamente no direito de ouvir as nossas
OS JORNALISTAS SABEM QUE informação é poder. Por isso é importante medir o que dizemos e, sobretudo, a quem dizemos.
Às vezes encontramos pessoas que rompem imediatamente o protocolo e nos transformam em parte integrante de suas vidas.
Mas o que pode ser entendido como um ato de confiança também envolve riscos: quando nos transformam em seus confidentes, esses indivíduos nos incluem em seu círculo íntimo e nos obrigam a acompanhar sua evolução pessoal. Dito de outra forma: nós nos transformamos em espectadores forçados de um mundo pessoal que até então desconhecíamos.
Além da pressão gerada por ouvir confi dências, há o perigo do qual nos previne Nietzsche: o outro pode estar esperando de nós uma atitude de confiança semelhante para, assim, completar o círculo iniciado por ele.
Por tudo isso, é importante sermos cuidadosos ao escutar – reservando o entusiasmo para as pessoas mais íntimas – e ainda mais cuidadosos ao falar.
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